A Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (SEPDA) tem uma proposta muito bonita e um trabalho pra lá de interessante. Tive contato com eles no último dia 15, quando o programa Adotar é o Bicho! estava no Largo do Machado, gostei, sobretudo, do cuidado que eles demonstravam ao passar informações aos adotantes sobre os cuidados e gastos com o adotado. Deveria também ser assinado um termo de responsabilidade de adoção e assumir o compromisso de esterilizar o bichinho assim que ele estivesse apto à cirurgia. Acabei adotando uma cachorrinha de três meses e chamei-a Julieta.
No mesmo dia levei a bichinha a uma clínica perto de casa para que ela tomasse um banho - era só pulga e catinga - e para comprar o necessário para recebê-la em casa. A veterinária deu uma olhada e pediu um exame. No dia seguinte, Juju não estava muito bem e a veterinária que já havia pedido os exames não estava atendendo. Levei-a então a uma outra clínica, onde ela recebeu a prescrição de um tratamento de 5 dias. Escrevi um email à veterinária da SEPDA falando sobre o estado da adotada e estranhei não receber resposta alguma. O tratamento terminou e levei-a devolta à primeira veterinária, que pediu um hemograma com urgência e diagnosticou cinomose, doença do carrapato, anemia, além da verminose já diagnosticada no primeiro exame.
Quem conhece a cinomose sabe que é uma doença séria, de contágio rápido e que filhotes não costumam sobreviver a ela - com o sistema imunológico comprometido, então...
Enfim, começamos um tratamento forte e no mesmo dia escrevi um email à ouvidoria da Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (número de registro é
1122132/
Defesa dos animais) para me manifestar sobre a forma como eles lidam com os animais de seus canis. Infelizmente, não recebi resposta alguma.
Transcrevo a seguir:
Caros senhores,
no dia 15/10 adotei da campanha "Adotar é o bicho" uma cadelinha de cerca de três meses (origem: CPA - Ronaldo). No dia seguinte à adoção comecei a perceber que ela não estava bem, levei a uma veterinária e comecei a tratá-la. Não estava confiando no tratamento oferecido e decidi, ontem, trocar de veterinário e hoje descobri que ela está com cinomose. Como a cadelinha não teve contato com nenhum outro animal desde que a adotei, fica claro que ela já estava com a doença quando era do canil.
Isso me deixou não apenas triste por saber que essa doença é difícil de ser vencida e que terei pela frente um enorme investimento não apenas financeiro, como, principalmente, emocional. Também fiquei triste e estarrecida por não entender (ou entender) que tipo de cuidado é o que se têm com os animais recolhidos aos vossos abrigos. Afinal, apenas um animal com cinomose é o bastante para espalhar a doença para centenas de outros cães do mesmo canil. Por isso, abrigos que possuem animais doentes devem ter canis especiais para mantê-los afastados dos animais sãos. Mas pelo visto não é isso o que acontece. Creio que assim como a cadela que adotei, todos os outros cães disponíveis a adoção naquele dia também estava infectados com o vírus.
É uma sorte eu não ter outro cachorro em casa, ele poderia ser infectado com o vírus; é sorte eu não ter crianças em casa, elas não sabem ainda lidar com perdas, sobretudo de animais recém-chegados; é sorte eu ter desconfiado do primeiro tratamento dado à minha cachorrinha e ter procurado outra veterinária, ela poderá constar - quem sabe? - nos 20% dos que sobrevivem bem ao vírus; é sorte eu ter recursos para cuidar dela. A mesma sorte podem não ter os demais adotados e adotantes.
Gostaria de entender para que tanto zelo e cuidado em vossa campanha. Para que tanta conversa sobre como cuidar bem de um animal, se eles nos estão sendo entregues com sérias doenças? Aliás, gostaria de lembrá-los que o recolhimento de animais pelo Estado ocorre por uma questão de saúde pública, por conseguinte, recolhê-los e entregá-los doentes a outras pessoas é um ato, no mínimo, irresponsável.
Se o tratamento para cinomose dispende recursos muito altos para o município e deve-se manter os doentes longe dos saudáveis. Os animais merecem respeito e bons tratos e isso não se resume a apenas alimentação e teto - e, que irônico, é isso o que diz a vossa campanha!
Espero que atitudes sejam tomadas no sentido de manter um ambiente saudável aos animais abrigados pelos senhores.
Cordialmente,
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